A competência das pessoas é o encontro de “conhecimento”, “habilidades” e “atitudes”. Conhecimento é o “saber”, o domínio dos conteúdos e da elaboração teórica; habilidade é o “poder”, o domínio dos métodos, processos e instrumentos; atitude é o “querer”, é a vontade, envolvendo os aspectos comportamentais.

A competência nas organizações estará comprometida se lhe faltar qualquer uma das dimensões comentadas. Em aulas, palestras ou experiências de consultoria, costumamos discutir o que seria mais fácil ou mais difícil: transmitir conhecimentos, desenvolver habilidades ou modificar atitudes. Invariavelmente, o público chega ao consenso de que transmitir conhecimentos é mais fácil, desenvolver habilidades é menos fácil e modificar atitudes é mais difícil. As melhores organizações têm sido hábeis na transmissão de conhecimentos e até no desenvolvimento de habilidades.

Mas não têm podido obter o mesmo êxito na modificação das atitudes. Alicerçadas em valores e crenças individuais, na compreensão do mundo e no papel que cada acredita exercer, as atitudes resultam do nosso caráter, da nossa educação, do quanto estimamos a nós e aos outros. Sofrem a influência dos nossos sentimentos de egoísmo ou altruísmo, orgulho ou humildade, vaidade ou desprendimento. Os sentimentos positivos, mais desejáveis, facilitam os relacionamentos interpessoais e colaboram para o funcionamento das equipes, favorecendo o alcance de melhores resultados. Entendido isso, sempre levantamos nova discussão: Se a dificuldade de capacitar pessoas nas organizações cresce de conhecimento para habilidade e desta para atitude, por que os processos seletivos de recursos humanos privilegiam a avaliação de conhecimentos, em seguida observam as habilidades e só raramente verificam as atitudes dos candidatos? É urgente a necessidade de se repensarem os processos seletivos das organizações em geral, mas principalmente das organizações públicas, onde os conhecimentos têm sido, quase sempre, a única dimensão avaliada, e em muitos casos de maneira discutível.

* Roberto Pinto é Doutor em Administração, Professor da UECE e Diretor-Presidente do IEPRO.