Na manhã desta quinta-feira, 8, foi realizada em Caucaia – CE, Região Metropolitana de Fortaleza, a apresentação da proposta de monitoramento costeiro de Caucaia – MOC Caucaia. A reunião ocorreu na sede do gabinete da vice-prefeita de Caucaia, Lívia Arruda, e contou com a participação do diretor-presidente do Instituto de Estudos, Pesquisas e Projetos da Universidade Estadual do Ceará – Iepro, Prof. Luiz Carlos Mendes Dodt; o secretário municipal de Infraestrutura – Seinfra, Sr. Kleber Correa Lima Filho; do coordenador de obras da Seinfra, Sr. Américo Ribeiro; o coordenador do Grupo de Estudo do Avanço do Mar, Sr. Armando Croselli, e o autor do projeto, Prof. Dr. em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente, Francisco Davis Pereira de Paula, docente do Centro de Ciência e Tecnologia – CCT Uece.

O MOC Caucaia tem o objetivo de realizar um monitoramento de erosão costeira no município distante 16 km de Fortaleza, gerando, dessa forma, informações úteis ao entendimento do problema, e que irão auxiliar na tomada de decisões do gestor público. O monitoramento abrangerá um trecho do litoral de Caucaia, a partir das praias de Tabuba, Icaraí, e Cumbuco, viabilizando a aquisição de dados de topografia costeira, característica sedimentar das praias, o movimento de areias entre sistemas diferentes, características hidrodinâmicas secundárias e primárias, entre outras informações. 

“O litoral em todo o mundo está mudando. Praias em todos os lugares estão sendo remodeladas. A erosão costeira é responsável por modificar estas paisagens. Pode se dar pela elevação do nível do mar, diminuição do abastecimento sedimentar, degradação dos sistemas naturais, como a degradação do rio Ceará que influencia na Praia do Icaraí, e obras costeiras que são construídas para proteger o litoral de Fortaleza. Sem areia, a estrutura não recupera nenhuma praia”, ressaltou Davis. 

O programa, com duração de 24 meses, usará técnicas e métodos tradicionais da análise de sistemas de praias, bem como pelo emprego de novas tecnologias de pesquisa. Ao final, a gestão municipal terá estabelecido os limiares para ocorrência de impactos costeiros em Caucaia; a avaliação das flutuações do nível vertical de areia das praias; o diagnóstico da erosão costeira nos trechos monitorados; a consolidação de um método de monitoramento costeiro; e o estabelecimento de coleta de dados em tempo real por vídeo monitoramento. 

HISTÓRICO

Há anos o mar avança sobre a costa, causando erosão, destruindo o comércio e afetando a vida dos moradores de condomínios e casas que se instalaram à beira-mar, não só com a desvalorização dos imóveis, mas com o risco de perda das moradias. Hoje, a praia é frequentada por surfistas e algumas pessoas que sentam em estruturas de pedra à beira do que restou da Avenida Litorânea. 

Nos anos 1940, a construção do Porto de Mucuripe, em Fortaleza, interrompeu o processo de alimentação natural das praias, feito por meio do transporte de sedimentos de leste para oeste. O litoral oeste do Ceará, onde está Caucaia, foi prejudicado com redução significativa da faixa de areia. Outras praias da cidade, como Pacheco e Iparana, sofreram com o problema.

Em 2017, o Icaraí recebeu mais 70M de “bagwall”, estrutura em degraus, projetada para dissipar a energia das ondas e evitar a retirada da areia.

“É importante o acompanhamento para se conhecer mais o comportamento do mar, nas mais adversas situações, e desta forma construir uma estrutura que ofereça suporte a quaisquer condições naturais”, afirma Lívia.

Praia do Icarai – Caucaia – CE. Foto: TFVJangada